A escolha da técnica de fragmentação não é uma questão de preferência estética. Ela determina quanta energia ultrassônica será dissipada dentro do olho, quanto tempo a ponta do facoemulsificador permanecerá em atividade e quanta força será transmitida ao saco capsular e à zônula durante a remoção do núcleo. Compreender o compromisso entre essas variáveis é o que permite ao cirurgião escolher de forma racional, e não por hábito, diante de cada catarata.

Divide and conquer: a técnica de base

No divide and conquer, o cirurgião utiliza a ponta do facoemulsificador para esculpir sulcos profundos no núcleo, em geral dispostos em cruz, e depois emprega dois instrumentos para fraturar o núcleo ao longo desses sulcos, separando-o em quadrantes. Cada quadrante é então conduzido à ponta do faco e emulsificado individualmente.

A maior virtude da técnica é ser previsível e didática. A profundidade do sulco é controlada sob visão direta, a fratura ocorre num plano bem definido e a dependência de manobras rápidas com o segundo instrumento é pequena. Por isso ela é a porta de entrada clássica para o residente. O preço dessa previsibilidade é o consumo maior de energia ultrassônica, já que esculpir os sulcos exige tempo de faco dentro do olho, o que significa mais energia dissipada e maior estresse sobre o endotélio corneano, um fator que pesa em córneas já comprometidas.

Phaco chop: menos energia, mais habilidade

No phaco chop, em vez de esculpir, o cirurgião crava a ponta do faco no núcleo e o fixa por vácuo, usando em seguida um chopper para fraturar o núcleo de forma mecânica, aproveitando as linhas naturais de clivagem das fibras lenticulares. Há duas variantes principais. No chop horizontal, o chopper alcança a periferia sob a rexe e traciona em direção à ponta do faco. No chop vertical, o chopper crava por cima e fratura por pressão vertical, sem necessidade de ir à periferia.

A vantagem é a eficiência. Como a fratura é mecânica, consome-se menos energia ultrassônica e menos tempo dentro do olho, o que beneficia o endotélio e favorece a abordagem de núcleos densos. A contrapartida é uma curva de aprendizado mais longa, porque o chop exige um vácuo de fixação confiável, coordenação bimanual refinada e leitura precisa do plano de fratura. Erros de chop próximos à periferia podem transmitir tensão indevida à zônula.

Comparação direta

CritérioDivide and conquerPhaco chop
Curva de aprendizadoMais suave e previsívelMais longa, exige coordenação
Energia ultrassônicaMaior, pelo esculpir dos sulcosMenor, pela fratura mecânica
Tempo dentro do olhoMaiorMenor
Núcleos densosFunciona, porém custosoMais eficiente
Dependência do segundo instrumentoBaixaAlta
Risco em zônula frágilMenor controle de forçaChop vertical poupa a periferia

O papel do stop and chop

Não é necessário escolher um lado em definitivo. O stop and chop funciona como ponte natural entre as duas técnicas. O cirurgião esculpe um único sulco central e realiza a primeira fratura, à maneira do divide and conquer, e em seguida passa a choppar os heminúcleos restantes. É a forma mais comum e mais segura de migrar do divide and conquer para o chop, porque fraciona o aprendizado em etapas e permite incorporar o gesto do chopper sem abandonar de uma vez o terreno conhecido.

Domine primeiro o divide and conquer para construir o controle da ponta e a leitura do núcleo. Migre para o stop and chop e, depois, para o phaco chop conforme ganha confiança no segundo instrumento e passa a buscar economia de energia nas cataratas mais densas.

Por que começar pelo divide and conquer

A recomendação consagrada é iniciar pelo divide and conquer, e a razão não é que ele seja superior. É que ele isola variáveis. O residente aprende a controlar a ponta do faco, a profundidade do sulco e a fratura sem precisar, ao mesmo tempo, dominar um vácuo de fixação e manobras rápidas de chopper. Construída essa base, o salto para o chop deixa de ser intimidante e passa a ser uma evolução natural rumo à eficiência.

O que de fato une as duas técnicas é uma habilidade que nenhuma aula transmite: o tato bimanual. Sentir o núcleo fraturar, coordenar o faco e o segundo instrumento, dosar a profundidade e a força são competências que se constroem por repetição. Treinar esses gestos fora do centro cirúrgico encurta de modo expressivo o caminho até a autonomia, porque permite errar e ajustar sem que isso custe a um paciente.

Os olhos artificiais Rexis permitem praticar a fragmentação nuclear em casa, do esculpir dos sulcos do divide and conquer ao gesto bimanual do chop, quantas vezes for necessário. O residente experimenta as duas estratégias, percebe a diferença na própria mão e chega à sala cirúrgica sabendo qual técnica empregar diante de cada catarata.

Treine as duas técnicas antes do paciente

Os olhos Rexis reproduzem a fragmentação nuclear para você praticar tanto o divide and conquer quanto o chop, em casa, no seu ritmo. Toda compra inclui o passo a passo da cirurgia.

Ver os pacotes de olhos

Referências e leitura adicional

  1. Koch PS, Katzen LE. Stop and chop phacoemulsification. J Cataract Refract Surg.
  2. Nagahara K. Phaco chop technique, original description and subsequent refinements.
  3. American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course, Lens and Cataract.